Bem Brasil Agosto/2021
Vamos combater a surdez, mas não só em novembro
Saúde

Vamos combater a surdez, mas não só em novembro

Vamos combater a surdez, mas não só em novembro

Novembro é um mês com importantes datas relacionadas ao cuidado da saúde. Hoje vou falar sobre o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez. Embora a data mesmo tenha passado (10 de novembro), não há dia certo para combatermos a falta de informação e educarmos a população brasileira sobre saúde auditiva.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que um quarto da população global, ou seja, o equivalente a cerca de 2,5 bilhões de pessoas, terá algum grau de perda auditiva até 2050. Um quadro alarmante para um período de menos de 30 anos. Por que será que existe essa previsão?

A surdez pode ter diferentes graus, tipos, ser congênita ou adquirida e afetar pessoas de qualquer idade sob variadas formas. Seus prejuízos são diversos e, comumente, provoca alterações na comunicação com grande impacto na saúde e qualidade de vida, desenvolvimento acadêmico e relações de trabalho. Estudos indicam, ainda, que a perda auditiva está incluída entre as condições mais associadas à depressão.

Porém, a OMS destaca também que em cerca de 60% dos casos, a perda auditiva pode ser evitada quando se trabalha com prevenção e tratamento. Medidas básicas como vacinação contra rubéola e meningite, melhoria dos cuidados maternos e neonatais e tratamento precoce da otite média ajudariam na redução deste dado.

Além desses fatores relacionados à rotina médica, vale considerar que há outros complicadores advindos da vida moderna, os quais também podem ser gerenciados com simples medidas de prevenção, como utilizar fone de ouvido de forma segura, evitar exposição sem proteção auricular a sons muito altos ou ruído intenso e, sempre, manter hábitos saudáveis.

O bom é que temos o avanço da medicina do nosso lado. Além dos aparelhos auditivos, para casos extremos de perda auditiva neurossensorial severa ou profunda, que não tiveram respostas satisfatórias com o uso de próteses auditivas convencionais existe a alternativa do implante coclear – um tipo de tratamento que infelizmente alcança menos de 5% do total de pacientes que poderiam ser usuários dessa tecnologia, muitas vezes por questões de desconhecimento ou por falta de acesso.

Não podemos desistir jamais. É importante continuarmos conscientizando as pessoas sobre a importância dos cuidados com a saúde auditiva. Lembrando que quanto antes a perda auditiva for detectada, mais efetivo será o tratamento e melhor será a qualidade de vida do paciente, sem tantos prejuízos na comunicação, nos relacionamentos e no seu dia a dia.

Renato Prescinotto é otorrinolaringologista e professor do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro, a Unisa.

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